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quarta-feira, 23 de maio de 2018

DESCONCERTOS

Passam se os dias
Os meses se vão
Se mudam as estações

O mundo imutável
Imóvel, vibrante, incomprendido
Se manifesta em Deus como delirante azul

Segredos tolos
Beijos vazios
Entre a espada e a cruz

Se chama por alguém
Se espera que se ouça
Se busca no novo a velha peça

Uma imagem sem cor
Um brilho sem vida
Algo que estanque a ferida

Busca-se cura para algo irremediável,
Buscam tempo para nada se fazer
Ilusórios dias onde nada tem graça

Tortuosas horas em que o tempo não passa...
Lágrimas escorrem na janela,
Ou são apenas gostas de chuva?
Nada se sabe do Inverno
Apenas que é frio
Frio impiedoso, chega queimar

Nada se sabe do Verão
Só que é quente
Mas nada que a brisa bloqueie lembrar

Nada se sabe sobre o Outono
Só que tudo é novo
E as folhas caem para recriar

Nada se sabe sobre a Primavera
Só que tem flores
Novos amores, novo pulsar

Nada se sabe sobre o poeta
Se está a sorrir ou a chorar
Se canta ou vai encantar

O mundo é uma tela pronta para se pintar
O mundo é um emaranhado de tudo
Mas dele nada mais posso eu esperar.



- Nelphino Morais.



terça-feira, 22 de maio de 2018

SAUDAÇÃO A TERRA


Nasci e me criei em solo sagrado Chapada, Wagner, Bahia.
Maldita minha consciência de infância que me leva a cegueira
Não me permitia a paciência de o Tesouro, ouro de mina
Tesouro que meu era, sem minha própria percepção, sem retrovisor


Oh, minha Terra! Perdoai teu filho que te desacolheu
Por velho ter se ser também quando criança, perdoai-me
Tinha eu impaciência à meditação, não ouvia meu interno
Era incapaz de reconhecer o todo, e tudo parecia agressão, hostilidade.


Mas agora, amada terra, clara se tornou minha ingratidão
Não dei devido valor a Mãe que me alimentou por toda a vida
Mas minha Mãe. A desacolhida foi por nossa precoce desconexão
Tive que a deixas muito cedo, ainda criança de olhos de recém nascido antigo
 No tempo em que as crianças como os outros animais nascia de olhos fechados


Os olhos abertos precocemente a esse povo que se intitula nova geração.
Foi meu problema inicial após meu nascimento
Não meditei ao nascer para que pudesse tranquilizar-me a nova realidade
A essa nova gente também devo saudar, mas a essa fazer parte, já não tenho sau-da-de.
Agora que velho meditei entendi que errei ao abrir os olhos cedo demais.



- Nelphino Pessoa Morais.


terça-feira, 5 de julho de 2016

A GUERRA


Aperto mais forte a lança em minhas mãos; desespero
Lanço meus olhos sobre os mortos no campo; agonia
Os corpos parecem tristes e frios; qual motivo da guerra?
O sol não se mostra a três semanas; escuridão
Ficamos apenas com o cinza dos dias; frio
Ficamos apenas com a cinza da pólvora em mãos; arrependimento

Alguns feridos se contorcem; gemidos
Não sei ao certo o motivo; dúvida
Talvez seja a frieza da guerra; incerto
Quem sabe a terra esteja fria; mortos
Lágrimas já se misturam a gotas de chuva; confusão
Do ritmo quente latino, a última curva; final

Já clamo a compaixão de qualquer deus; súplica
Se não finde, só explique o motivo da guerra; lúgubre
Por que os inimigos estão tão próximos?; silêncio.
Eu continuo a andar entre corpos; barulho
Ouço um bipe, sei que pisei uma mina; arrepio
Lembro apenas do olhar de minha menina; amor

Fecho os olhos e visualizo minha filha; pequena
Mais um passo e sei... Eu sei! É o fim; descuido
Não da guerra, não da chuva,  Não das bombas; sangue
Do amor, da esperança, do prazer, da família; visão trêmula
Sinto o fogo que me consome, visualizo então o lado gélido da guerra; explosão
É meu fim... Tudo é negro desse lado; parar pulsação.

                                    
                                                                     MORAIS, Dori Edisson Pina.