terça-feira, 5 de julho de 2016

A GUERRA


Aperto mais forte a lança em minhas mãos; desespero
Lanço meus olhos sobre os mortos no campo; agonia
Os corpos parecem tristes e frios; qual motivo da guerra?
O sol não se mostra a três semanas; escuridão
Ficamos apenas com o cinza dos dias; frio
Ficamos apenas com a cinza da pólvora em mãos; arrependimento

Alguns feridos se contorcem; gemidos
Não sei ao certo o motivo; dúvida
Talvez seja a frieza da guerra; incerto
Quem sabe a terra esteja fria; mortos
Lágrimas já se misturam a gotas de chuva; confusão
Do ritmo quente latino, a última curva; final

Já clamo a compaixão de qualquer deus; súplica
Se não finde, só explique o motivo da guerra; lúgubre
Por que os inimigos estão tão próximos?; silêncio.
Eu continuo a andar entre corpos; barulho
Ouço um bipe, sei que pisei uma mina; arrepio
Lembro apenas do olhar de minha menina; amor

Fecho os olhos e visualizo minha filha; pequena
Mais um passo e sei... Eu sei! É o fim; descuido
Não da guerra, não da chuva,  Não das bombas; sangue
Do amor, da esperança, do prazer, da família; visão trêmula
Sinto o fogo que me consome, visualizo então o lado gélido da guerra; explosão
É meu fim... Tudo é negro desse lado; parar pulsação.

                                    
                                                                     MORAIS, Dori Edisson Pina.

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