terça-feira, 5 de julho de 2016

A PRIMEIRA VEZ QUE VI O MAR

O sol estava alto em meio ao céu azul
Anunciava alegrias, emoções, o meio dia
A pino se encontrava, e me encantava

Meus olhos perdidos a imensidão
Parecia tão profundo, tão pacífico
Mas era forte, me derrubou

Me afastei , eu corri, soseguei e voltei
O mar beijou meu corpo, apaixonei, arrepiei
Sal em minha boca areia em minha roupa, eu sorri

Era como um banho de sol e Luz
O tempo devagarinho passou e o sol cansou, abaixou .
E eu para vê-lo corri, novamente fugi

Me sequei e esperei aquele momento
Era tanto sentimento que mal cabia em mim
Então o astro rei se aproximou e ao mar se entregou, apagou.

O dia findou com ele, em mim explosões
Queima profunda de fogos e sentimentalidades
Os olhos fechei e imaginei um final feliz, então chorei.

Devagarinho a lágrima escorregou em meu rosto
Suave, salgada como a água do mar
Suspirei, dancei e voltei na água entrar
E foi assim a primeira vez que vi mar

A GUERRA


Aperto mais forte a lança em minhas mãos; desespero
Lanço meus olhos sobre os mortos no campo; agonia
Os corpos parecem tristes e frios; qual motivo da guerra?
O sol não se mostra a três semanas; escuridão
Ficamos apenas com o cinza dos dias; frio
Ficamos apenas com a cinza da pólvora em mãos; arrependimento

Alguns feridos se contorcem; gemidos
Não sei ao certo o motivo; dúvida
Talvez seja a frieza da guerra; incerto
Quem sabe a terra esteja fria; mortos
Lágrimas já se misturam a gotas de chuva; confusão
Do ritmo quente latino, a última curva; final

Já clamo a compaixão de qualquer deus; súplica
Se não finde, só explique o motivo da guerra; lúgubre
Por que os inimigos estão tão próximos?; silêncio.
Eu continuo a andar entre corpos; barulho
Ouço um bipe, sei que pisei uma mina; arrepio
Lembro apenas do olhar de minha menina; amor

Fecho os olhos e visualizo minha filha; pequena
Mais um passo e sei... Eu sei! É o fim; descuido
Não da guerra, não da chuva,  Não das bombas; sangue
Do amor, da esperança, do prazer, da família; visão trêmula
Sinto o fogo que me consome, visualizo então o lado gélido da guerra; explosão
É meu fim... Tudo é negro desse lado; parar pulsação.

                                    
                                                                     MORAIS, Dori Edisson Pina.