terça-feira, 29 de maio de 2018

A CARTA DO NÃO ARREPENDIDO ESPIRITO

Eu me considero integro, moderadamente sábio
Mas é sabido a todos que de nada me arrependo
Não sofro, não choro dor nenhuma, pois me sei
Eu me senti, me entendi, por fim, respirei, sem ti

Depois dessa profunda metódica, meditação guiada
Percebi que nunca sofri por nada, de nada arrependi
Nunca pedi desculpa, nunca baixei a guarda, entendi
Eu era e sou meu próprio guia de vigila, me guardo

Meu próprio conselho, me aconselho onde ando
Sou meu próprio pai, mãe e tia, não mais preciso
Quando criança precisei, muito obrigado, mas agora
Eu percebo que meu estado pede auto sabedoria.


- Nelphino Edisson Morais.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

CURTA MALHA FINANCEIRA

Estou farto desse fino e curto lençol financeiro
Cansado de ver o povo brasileiro afundar-se em dividas
És esse pano capitalista complexo, até mesmo cruel ao mais fraco
Significa dizer que não se pode a esse te-lo por inteiro
Cobrir a cabeça resulta no descobrimento dos pés

O nato brasileiro cansado chama de crise, de catástrofe
Mas seria crise ou simples descontrole financeiro?
Acostumou-se ao brasileiro demasiado a felicidade
Entrega tudo que tem e confia a Deus o futuro
Pobre humanidade que não entendeu que Deus não és economista

Seria desespero do sertanejo pelo pão?
Ou contentamento pelo circo brasileiro?
De fato eu não sei compreender, mas me conforta saber
Que quem me ler, também não sabe, o mal de dinheiro brasileiro
Em frente ao aspecto internacional, só é o Brasil desequilibrado tão quanto o seu Povo.

Mas não concordo com o todo da oração
Mas ainda assim me revolta ver o pano retalhado
Os bancários sanguinários empresta a quem sabe ter de executar
Pois sabe o de toga que o de enxada não pagará sua divida ao retalhar sua economia a outro debito
Entretanto segue o brasileiro desperto, mas dorme confuso pelo que o pão não nutriu.
Morre o Brasil pelo abandono do que chama valorização da cultura do povo.




- Dori Edisson dos Anjos

quarta-feira, 23 de maio de 2018

DESCONCERTOS

Passam se os dias
Os meses se vão
Se mudam as estações

O mundo imutável
Imóvel, vibrante, incomprendido
Se manifesta em Deus como delirante azul

Segredos tolos
Beijos vazios
Entre a espada e a cruz

Se chama por alguém
Se espera que se ouça
Se busca no novo a velha peça

Uma imagem sem cor
Um brilho sem vida
Algo que estanque a ferida

Busca-se cura para algo irremediável,
Buscam tempo para nada se fazer
Ilusórios dias onde nada tem graça

Tortuosas horas em que o tempo não passa...
Lágrimas escorrem na janela,
Ou são apenas gostas de chuva?
Nada se sabe do Inverno
Apenas que é frio
Frio impiedoso, chega queimar

Nada se sabe do Verão
Só que é quente
Mas nada que a brisa bloqueie lembrar

Nada se sabe sobre o Outono
Só que tudo é novo
E as folhas caem para recriar

Nada se sabe sobre a Primavera
Só que tem flores
Novos amores, novo pulsar

Nada se sabe sobre o poeta
Se está a sorrir ou a chorar
Se canta ou vai encantar

O mundo é uma tela pronta para se pintar
O mundo é um emaranhado de tudo
Mas dele nada mais posso eu esperar.



- Nelphino Morais.



BUQUÊ DE CORES, FLORES / TAMBORES



O presentei com um arranjo floral em jarro
Tinha ele sete flores, sete cores, sete linhas
Cada uma lhe traria da alma um despertar
Você se mostraria capaz para a plena liberdade

O brilho da rosa vermelha te desperta ao contato divino
Ela te beijou primeiro com seu amor, seu contentamento
A alegria fantástica do miocárdio pulsar, pode ser amor.
Vibra ela a melodia da magia da Bahia, do povo de casa.
Saudação a Moça que traz amor.

A orquídea branca te traria a paz de não esperar demais de si
O gozo sincero da tranquilidade e disposição para com o espirito
Traz ela luz a tua Coroa, paz ao teu corpo em vibração de infinito
Meu caro irmão, a esse presente tenha sabedoria a usar e dosar,
Não se perca ao que oferta o efêmero, desse veneno não beba.
Saudação a Paz do Grande Orixá.

A bromélia violeta lateja e desabrocha terceiro olho.
Abre-se os olhos no topo da cabeça, em sua pedra indiana
Te dei a minha visão aos espíritos, use-a com todo respeito.
Meu querido se proteja, se ouça internamente, se ame, príncipe se proteja.
Saudação ao Chefe da Calunga, meu Pai.

O girassol imponente chega no teu poente da tarde
Para te lavar com a luz amena, com o ouro e a noite
Ouço de Oxum o canto, te presentei com prosperidade
Tenha à minha luz, mas não de ser sentido, não deixe não fazer sentido.
Saudação ao Sol.

A laranjeira floriu ao cantar do galo
A benção da cura de São Benedito
Meu amado, Benedito, Bendito seja teu nome
Me chame de éter e sinta meu verde curar-te
Saudação as Almas.

As onze horas expostas no arranjo
Representam a benção da pontualidade
Eu te agracio com o dom de entender o tempo, em oração.
Quando entender seu significado será Coroado senhor de si.
Saudação ao Tempo.

Tinha no arranjo ramos de samambaias
Para o dado sagrado toque de tambor de Caboclo.
Te dei agora a sabedoria para compreender a sua própria força.
A paciência para esperar o retorno dos primeiros, proteção da mata.
Saudação as folhas.

Meu bem, antes que eu parta em poesia e suma em versos
Eu suplico entenda a poesia desses versos, pois deles só magia.
Ao contrario deles eu me faço maldição
Mas meu amado, abençoado seja nosso amor,
seu coração, Salve essa minha oração de flor.



_____________________________________Pedrinho de Aruanda.

MEDITAÇÃO MATINAL


As horas seguem passando
Da alta montanha fria
As gotas continuam escoando
Quando brotou o dia
O sol se partiu em dois
Duas vidas, dois amores, dois sóis

Ao pranto dos rouxinóis
O início da alvorada
Ainda que com a alma cansada
Eu continuo andando
Ao findar dos tempos
Sigo eu cantando

Tomado pela alegria do amor
Aquele gesto puro de se querer bem
Sentido o pleno sabor da liberdade
Sem o medo da idade que vem
Com a face aquecida
Com a calma ferida

O mundo acaba em horas
Ao fim da tarde já não existirmos
Não acontecerão novas auroras
Aproveito esse momento, que temos
Para nós despedir
Não há como olhar para trás, é hora de ir


- Nephino Morais.

AO LOUCO EM MIM


Eu ando pelos mesmos cantos
Frequento os mesmos grupos sociais
Mas o meu e o seu nome são palavras inexoráveis
Cuja as notas rítmicas evocam a total destruição


Te esperei, como quem aguarda uma flecha
A morte, o riso, o brilho nos olhos é impagável.
O medo irremediável da hora do salto
Torna a vida em graça, a idade em ereção.


“Seus olhos claros, que são doces
Me valem como fortes faróis azuis
Mas o teu abandono desordenado de si
Te desnuda para algo tão vivo, porém igualmente destrutível


Você brinca e atiça meus obscuros desejos
O sonho que foi nosso beijo
Levou de mim a sanidade, quando tornou-se real
Já não penso direito, já me dou ao pensamento solto, 
Saudação a loucura do meu Mestre, em? Pessoa.


- Dori Edisson Morais Caeiro.

AS REGRAS QUE SUPONHO DA "MÉTRIARCA"


Meu amor, se tivesse eu pedrinhas de brilhantes 
Já não mais desejaria que ladrilhassem sua rua
Eu venderia o que para mim vale mais que você
E com o dinheiro eu compraria o amor, em parte

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Pois com tal moeda só compraria o amor que eu,
Julgo a mim própria merecer, mas não o conheço
Como não mais lhe conheço devolva meu ladrilho
Só ao meu próprio brilho agora vou ladrilhar, saia
.
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Meu amor eu agora destruir a janela do meu peito
Não mais lhe quero ver passar em rua mal corada
Nem lhe queria perto do agora meu tesouro, pude
Meu caro sou eu matriarca, sou eu mulher, senhorª 
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Por esse motivo também não retornes, nego você
Pois acredito saber que cheira álcool à essa hora
Sei que tu estar por ai caído penso que ainda vivo
Minha graça por ti fragmentou - se, pois coroei-me
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.                                                              - Alice Padilha.

terça-feira, 22 de maio de 2018

SAUDAÇÃO A TERRA


Nasci e me criei em solo sagrado Chapada, Wagner, Bahia.
Maldita minha consciência de infância que me leva a cegueira
Não me permitia a paciência de o Tesouro, ouro de mina
Tesouro que meu era, sem minha própria percepção, sem retrovisor


Oh, minha Terra! Perdoai teu filho que te desacolheu
Por velho ter se ser também quando criança, perdoai-me
Tinha eu impaciência à meditação, não ouvia meu interno
Era incapaz de reconhecer o todo, e tudo parecia agressão, hostilidade.


Mas agora, amada terra, clara se tornou minha ingratidão
Não dei devido valor a Mãe que me alimentou por toda a vida
Mas minha Mãe. A desacolhida foi por nossa precoce desconexão
Tive que a deixas muito cedo, ainda criança de olhos de recém nascido antigo
 No tempo em que as crianças como os outros animais nascia de olhos fechados


Os olhos abertos precocemente a esse povo que se intitula nova geração.
Foi meu problema inicial após meu nascimento
Não meditei ao nascer para que pudesse tranquilizar-me a nova realidade
A essa nova gente também devo saudar, mas a essa fazer parte, já não tenho sau-da-de.
Agora que velho meditei entendi que errei ao abrir os olhos cedo demais.



- Nelphino Pessoa Morais.