quarta-feira, 23 de maio de 2018

DESCONCERTOS

Passam se os dias
Os meses se vão
Se mudam as estações

O mundo imutável
Imóvel, vibrante, incomprendido
Se manifesta em Deus como delirante azul

Segredos tolos
Beijos vazios
Entre a espada e a cruz

Se chama por alguém
Se espera que se ouça
Se busca no novo a velha peça

Uma imagem sem cor
Um brilho sem vida
Algo que estanque a ferida

Busca-se cura para algo irremediável,
Buscam tempo para nada se fazer
Ilusórios dias onde nada tem graça

Tortuosas horas em que o tempo não passa...
Lágrimas escorrem na janela,
Ou são apenas gostas de chuva?
Nada se sabe do Inverno
Apenas que é frio
Frio impiedoso, chega queimar

Nada se sabe do Verão
Só que é quente
Mas nada que a brisa bloqueie lembrar

Nada se sabe sobre o Outono
Só que tudo é novo
E as folhas caem para recriar

Nada se sabe sobre a Primavera
Só que tem flores
Novos amores, novo pulsar

Nada se sabe sobre o poeta
Se está a sorrir ou a chorar
Se canta ou vai encantar

O mundo é uma tela pronta para se pintar
O mundo é um emaranhado de tudo
Mas dele nada mais posso eu esperar.



- Nelphino Morais.



2 comentários: